O movimento surrealista surgiu na década de 1920, e introduziu o fantástico mundo onírico sobretudo na pintura. Os adeptos dessa vanguarda adoravam o "maravilhoso cotidiano", que era a revelação de elementos comuns do dia a dia em coisas belíssimas e irreais na Arte.
Sei que minha Poesia está longe de ser surrealista, pois a loucura do onírico não está nela. Mas também amo a idéia do maravilhoso cotidiano em sentido amplo, ou seja, ver a Musa em cada coisa, em cada canto, naquilo que é mais simples e tem sua magia descoberta através da Arte.
Muitos estão cegos para a beleza do cotidiano. Uma vez, um violinista talentoso estava em frente a um shopping, tocando, e poucos eram os que paravam, mesmo por alguns momentos, e escutavam. Não quero condenar aqui os que correm, apenas não acho que na correria se deva ficar sem sentidos para o que há de bonito em volta.
Mas eu vou lhes dar um exemplo melhor: a feirinha de antiguidades da Praça XV, que acontece todo sábado de manhã.
O que um observador puramente técnico vê é um monte de coisas velhas, em bom estado ou não, necessárias ou superflúas, sendo comercializadas por muitas pessoas. O que eu vi quando fui há algumas semanas lá foi a Poesia presente na História, em fotos antigas, missais e pratarias, entre outros, de gente que viveu numa realidade anterior e da onde saiu a nossa. Câmeras, algumas do tipo lambe-lambe, estavam lá também e fico imaginando o que fotografaram... Que versos e linhas em prosa aquelas antigas canetas escreveram? Que notícias, concretas ou abstratas, levaram? E como levaram _ com ou sem subjetividade? E aqueles livros de capa desbotada, redigidos em português arcaico, que mundos carregam em suas páginas? Nunca saberemos ao certo, e desse mistério, surgem sonhos extraordinários...
Meus amigos, nessa feirinha, o maravilhoso cotidiano existe não só em sentido amplo, como em estrito. Afinal, todo esse universo esquecido volta à tona; é um sonho que retorna, enriquecido pela imaginação atual de muitos, à consciência. O surrealismo está lá...
E por que há ainda aqueles que não percebem a beleza disso? Estão claramente enredados demais nos mecanismos de sua subsistência _ em trabalhar sem prazer, em comer, dormir, administrar seus bens, manter uma boa reputação _ para perceber qualquer aparição da Musa. Esses não vivem; sobrevivem. Esquecem-se dessa diferença, a mais básica e importante de todas, ao acordar (se é que em algum momento tiveram conhecimento dela) e se a lembram, o fazem apenas na hora de dormir, quando o dia já se foi com sua beleza... E fazem isso dia após dia, desperdiçando o maravilhoso cotidiano _ em outras palavras, a própria vida.
Deixo aqui alguns versos meus, que retornaram ao meu espírito como todo aquele cosmo evocado pela feirinha voltou à minha memória, ainda que nunca o tenha vivido.
Sombra libertina
Ao longe, na rua deserta
uma sombra no chão se firma
o Sol, o Céu e a Terra
sorriem para a tal libertina
que dança no asfalto, sem preocupação
os movimentos são poesia
a mais pura do coração
e seu dono, que viu que o Sol
para sua sombra sorria
pôs em movimento novamente
a querida sombra libertina
e a Manhã suspirava, e consigo dizia:
A libertinagem é o raiar
de um novo dia.
Deus abençoe essa sombra libertina!
Mas os homens que eram conservadores
e não viam a beleza da vida
(pois em suas vidas não havia amores)
censuravam a dançarina.
Achavam que a sombra
só por ter alegria
afrontava o universo róseo
que alguém um dia construíra
E o Sol, o Céu e a Terra com a Manhã
concordavam, que dizia:
Deus abençoe essa sombra libertina!
E a sombra e o seu dono
não pararam de dançar
nos asfaltos das ruas, às doces melodias.
E as Árvores, os Campos, o Verde
concordavam com a Manhã, que dizia:
A sociedade precisa
de mais sombras libertinas!
"Para ser grande, sê inteiro: nada/ Teu exagera ou exclui./ Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes./ Assim em cada lago a lua toda/ Brilha, porque alta vive." (Ricardo Reis)
sábado, 23 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Sexta-feira de paixão
Ontem, em um clarão, me lembrei de um lindo poema de Florbela Espanca, uma das mais encantadoras poetas que conheço. Não coloco aqui nenhuma introdução maior a estes versos... Digo apenas que são perfeitos, sem risco de hipérbole.
Impossível
Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste:
“Parece Sexta-Feira de Paixão.
Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,
Sempre a pensar na dor que não existe.
O que é que tem? Tão nova e sempre triste!
Faça por estar contente! Pois então?”
Quando se sofre, o que se diz é vão.
Meu coração, tudo, calado, ouviste.
Os meus males ninguém mos adivinha,
A minha Dor não fala, anda sozinha,
Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!
Os males de Anto toda a gente os sabe!
Os meus ... ninguém ... A minha Dor não cabe
Nos cem milhões de versos que eu fizera!
Impossível
Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste:
“Parece Sexta-Feira de Paixão.
Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,
Sempre a pensar na dor que não existe.
O que é que tem? Tão nova e sempre triste!
Faça por estar contente! Pois então?”
Quando se sofre, o que se diz é vão.
Meu coração, tudo, calado, ouviste.
Os meus males ninguém mos adivinha,
A minha Dor não fala, anda sozinha,
Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!
Os males de Anto toda a gente os sabe!
Os meus ... ninguém ... A minha Dor não cabe
Nos cem milhões de versos que eu fizera!
quarta-feira, 16 de março de 2011
Excalibur
A poeta está muito alegre. O motivo é a atenção recebida pela sua postagem anterior. Vários elogios foram feitos. Alguns aparecem no blog e no Facebook, e conto ainda com aqueles recebidos por MSN, os quais guardo no meu acervo particular, minha memória.
Os escritores sabem o quanto é difícil divulgar seu trabalho quando estão no começo de sua trajetória. Boa literatura vende pouco no Brasil. E minha situação é especialmente complicada, pois faço versos. É frustrante saber que sites com conteúdo superficiais e emburrecedores têm mais seguidores e comentários que espaços culturais de qualidade, como o meu blog.
Entretanto, agora a situação começa a mudar. Ainda sou bem desconhecida, eu sei, mas a repercussão de meus textos está crescendo. Isso me incentiva a continuar a usar minha Excalibur.
Não me refiro aqui à legendária espada do Rei Arthur, mas a uma linda caneta que ganhei de Natal. Embora não tenha ainda gastado nem uma gota de sua tinta, posso dizer que utilizo sim esse precioso instrumento, pois ela é um símbolo do meu trabalho de escritora.
Espero dar autógrafos e escrever lindas dedicatórias com ela no futuro, nas noites de celebração das minhas batalhas vencidas com essa imponente espada, que me ajudará a mostrar ao mundo o encantamento das minhas palavras.
Dedico os versos seguintes, que merecem ser lidos muitas vezes, ao cavalheiro que me presenteou a Excalibur.
Espero dar autógrafos e escrever lindas dedicatórias com ela no futuro, nas noites de celebração das minhas batalhas vencidas com essa imponente espada, que me ajudará a mostrar ao mundo o encantamento das minhas palavras.
Dedico os versos seguintes, que merecem ser lidos muitas vezes, ao cavalheiro que me presenteou a Excalibur.
Sopro de água
Minha pena dança sobre o alvor do papel
e nas palavras encontro o meu refúgio;
tirando dos meus olhos todo o pranto,
afogo-me de novo em um mar turvo.
Oh, pobre sofrimento inconstante,
que me mata e me deleita como a uma rainha,
pois, se da dor tiro eu esperanças,
de teu ventre geras alegria!
E somente quem se empenha, de todo,
na graciosa arte de escrever
sabe que o lodo pode ser perfume
ao mesmo tempo, mas a diferente ver.
E esta abundância que explode em minh’alma,
de belas rosas de emoções distintas,
dá-me sempre uma fugaz certeza:
hei de ser eternamente serva e rainha.
terça-feira, 8 de março de 2011
Feliz aniversário atrasado!
Meus leitores, mais uma vez desapareci e reapareci por aqui. Deixei-os com o encantador mundo nosso de cada dia, e me entreguei a lapidar versos e pensamentos, viajar para uma terna cidade mineira, sair com os amigos e adoecer. Nada disso é, entretanto, pretexto para não ter ressurgido aqui antes, por ocasião do aniversário deste blog. "O livro está na mesa" completou um ano em 12 de fevereiro, e agradeço a seus poucos e bons leitores, tanto aos antigos quanto aos recentes.
Esta mesa literária é ainda pequena, mas já cresceu e estou feliz com as críticas que tenho recebido de meu público, não só dos seguidores como dos outros visitantes. Até aqueles que se mantêm em silêncio são importantes, pois estão presentes com o seu apoio, mesmo que já tenham discordado de mim. De alguma forma, todos os meus leitores encontraram um bom recanto artístico aqui, ainda que imperfeito.
Continuarei a divulgar este blog, e reitero as promessas que fiz: novos poemas meus e prosas minhas para este espaço querido. Deixo de presente, para relembrar, "Bela Balada", que muitos de vocês ainda não tiveram a chance de ler, e que foi um dos primeiros com que inaugurei as páginas desse livro virtual (mas, nem por isso, menos real).
Bela Balada
Bela Balada
Fazer sentir o vibrar da emoção,
e ser eterno o fugidio lampejo,
perenizar o bater do coração,
iluminar a luz de um triste beijo,
Enevoar o mundo na boa bruma
que se assemelha ao soprar do vento;
diferenciar cada um dos mil arquejos,
fantasmas com a corrente do tormento.
Nas palavras, pouco a pouco, construir
etéreo e diáfano refúgio,
de onde se veja o mundo com clareza
e onde se possa abrigar contra o Dilúvio.
Aprisionar emoções, momentos, não é esse o meu intento,
a intenção do poeta é a expansão;
Permitir, humilde, as sensações ocultas em suas palavras,
como uma música, viver em eterno movimento,
graça estrelar e, principalmente, transmutação.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
A maldição de Cassandra
Cassandra é a minha personagem favorita da queda de Tróia. Há muitas versões sobre o mito dessa princesa troiana, mas todas concordam que ela era uma grande e desacreditada profetisa. Segundo a vertente predominante, Apolo, o Deus da Verdade, amou Cassandra e deu a ela o dom da profecia. Entretanto, a moça não o aceitou, e o Imortal lançou-lhe a maldição de que ninguém jamais acreditaria nas previsões dela, embora todas se cumprissem.
Assim, Cassandra passa toda a guerra de Tróia alertando as pessoas sobre a queda da cidade e ninguém crê nisso, ignorando solenemente o fato de que as outras predições da princesa eram reais. Se tivesse sido escutada, muitos troianos poderiam evitar a morte saindo de lá...
Várias pessoas carregam um pouco dessa profetisa dentro de si. Muitos passam boa parte da vida falando sobre o que acontecerá se nada for feito, e poucos escutam de verdade.
Mas por que estou eu falando desse mito? Por causa das chuvas na região serrana. Choveu bastante, mas não sejamos tolos a ponto de culpar a natureza pela catástrofe que aconteceu. A ocupação das encostas dos morros foi o principal motivo. Tanto casas miseráveis como condomínios de luxo foram construídos nas encostas, tirando de lá a vegetação original que manteria o solo no lugar em caso de temporais violentos. Assim, a força da água tornou-se absurda quando as tempestades caíram, e os deslizamentos aconteceram, desabrigando, ferindo e matando muitas das pessoas que viviam próximas a esses lugares.
Muitos já alertaram sobre o perigo da ocupação de encostas; eu mesma já o fiz, aqui mesmo nesse blog, por ocasião das chuvas de abril no Rio de Janeiro em 2010. Mas o poder público ignora. É mais cômodo deixar as favelas onde estão do que realizar políticas de reassentamento daquelas pessoas, o que, além de custar dinheiro, geraria perda de eleitorado para vários políticos, porque muitas vezes essa população prefere ficar onde está por ser mais perto de seus locais de trabalho e de lugares com melhor infra-estrutura. E quanto aos ricos, no país de Collor, Sarney e Calheiros, não é difícil saber que artíficio a classe alta usa para poder construir suas mansões em áreas que deveriam ser de proteção ambiental...
São em momentos como esse que vários estudiosos, intelectuais, ou simplesmente pessoas de bom senso se sentem como Cassandra. Eu partilho desse sentimento, mesmo sendo desconhecida do grande público, porque dei meu aviso da forma como podia e ele foi, como todos os outros, muitos de pessoas famosas, ignorado.
Como na ocasião das chuvas de abril de 2010, deixo aqui o link que informa onde fazer doações para as vítimas do desastre deste ano. Além disso, uma outra forma de exercer a solidariedade é fazer trabalho voluntário, tanto nas cidades atingidas pela catástrofe, como em outras que estão arrecadando alimentos e diversos itens, e precisam de pessoas para empacatá-los e organizá-los para o envio. Uma boa opção é procurar a Cruz Vermelha, cuja filial no Rio fica na Praça Cruz Vermelha 10, no Centro. A instituição abriu uma conta para receber doações em dinheiro: Banco Real Ag. 0201 c/c 1793928-5. É necessário lembrar que há filiais dessa organização em várias cidades brasileiras.
Deixo aqui a minha revolta, que todo bom intelectual, artista ou não, deve ter experimentado. Afinal, desde a Antiguidade, há aqueles que preferem, como disse Veríssimo, quebrar o espelho quando esse reflete o que não querem ver. A maldição de Cassandra continua; e como ela, mergulhamos nessa angústia de ver Tróia cair.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Receita de ano novo
Olá, meus leitores! Sim, eu sei que esse post deveria ter saído no dia primeiro, mas como todos já sabem, um novo ano só começa mesmo em um dia de semana, logo aqui estou eu hoje.
Para 2011, faço promessas literárias. Dentro de algum tempo, terei registrado mais poemas meus na Biblioteca Nacional (o que faço com toda a minha obra). Assim, meus versos mais recentes serão mostrados aqui!
Há outras promessas literárias também, mas essas prefiro não contar, e surpreender a vocês. Por hora, deixo aqui esse texto de Drummond para que todos construamos 2011 muito bem:
Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Para 2011, faço promessas literárias. Dentro de algum tempo, terei registrado mais poemas meus na Biblioteca Nacional (o que faço com toda a minha obra). Assim, meus versos mais recentes serão mostrados aqui!
Há outras promessas literárias também, mas essas prefiro não contar, e surpreender a vocês. Por hora, deixo aqui esse texto de Drummond para que todos construamos 2011 muito bem:
Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Porre poético com novo rosto
Como alguns de vocês talvez já saibam, resolvi dar a esse espaço um novo design. Para isso, uma foto de Pedro Amorim, tirada na Urca, foi colocada como plano de fundo, e alterei as cores do blog. Quem quiser comentar as mudanças, ou mesmo sugerir outras (ou até criticar negativamente as minhas), sinta-se livre!
Mas não foi só isso que vim aqui dizer. Vim lhes dar outro presente, mais suave e mais libertário do que a minha oferta anterior. Continuemos, portanto, nesse porre poético de final de ano!
Sacrossanto
Santo é o pôr-do-sol com sua magnífica explosão;
santas são as estrelas semeadas no vasto céu.
Santa a Aurora divina ao deixar cair seu belo véu,
santo o pulsar ardente de um nobre coração;
Santa Gaia, Santo Urano,
santo é o Universo infinito:
santas são tantas obras,
que o profano se encontra restrito.
O sacrossanto nunca é inviolável;
o pôr-do-sol presenteia-nos diariamente,
as estrelas não se ofendem com nossa alegria.
E a Aurora, ao despontar do dia,
deleita e deleita-se aos olhos das desrespeitosas raparigas.
Ao crepúsculo, qualquer um pode embeber
aos olhos, a linda visão do Sol no cais,
enquanto, em trajes impróprios, perceber,
da Terra, os suspiros, sonhos e ais!
Mas não foi só isso que vim aqui dizer. Vim lhes dar outro presente, mais suave e mais libertário do que a minha oferta anterior. Continuemos, portanto, nesse porre poético de final de ano!
Sacrossanto
Santo é o pôr-do-sol com sua magnífica explosão;
santas são as estrelas semeadas no vasto céu.
Santa a Aurora divina ao deixar cair seu belo véu,
santo o pulsar ardente de um nobre coração;
Santa Gaia, Santo Urano,
santo é o Universo infinito:
santas são tantas obras,
que o profano se encontra restrito.
O sacrossanto nunca é inviolável;
o pôr-do-sol presenteia-nos diariamente,
as estrelas não se ofendem com nossa alegria.
E a Aurora, ao despontar do dia,
deleita e deleita-se aos olhos das desrespeitosas raparigas.
Ao crepúsculo, qualquer um pode embeber
aos olhos, a linda visão do Sol no cais,
enquanto, em trajes impróprios, perceber,
da Terra, os suspiros, sonhos e ais!
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